Cuidado com óleo na pista, abaixo uma reportagem de um acontecimento em SPjunho 15, 2009


Empresário morre na Mogi-Dutra

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Óleo na pista pode ter provocado o acidente que matou Edelcio Fernandes na Mogi-Dutra

CAROLINE LOPES

Edelcio Fernandes, 42 anos, morador do condomínio Aruã, empresário e motociclista experiente, morreu na manhã de anteontem entre os quilômetros 47 e 46 da Rodovia Mogi-Dutra (SP-88), na curva que fica pouco antes da Casa do Queijo. A moto dirigida por ele (uma BMW R 1.200, placa DYV-9988, de Mogi das Cruzes) derrapou e, logo em seguida, Fernandes teve o corpo arremessado sobre as pistas e acabou sendo atropelado, quebrando o pescoço e tendo fraturas múltiplas. A vítima, que estava acompanhada de outros amigos motociclistas, teria sofrido o acidente por conta do excesso de óleo derramado nas pistas, o que foi negado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

Ontem, no entanto, a reportagem percorreu o trecho, quando não apenas notou o combustível, como percebeu que nada havia sido feito para amenizar o efeito deslizante dele.

"Edélcio era um motociclista experiente. Dirigia moto desde os 18 anos e, ao lado de outros amigos, fazia parte de um grupo que viaja sobre duas rodas quase todos os finais de semana. O acidente aconteceu entre 9h30 e 9h40. Nós saímos juntos de Mogi, em aproximadamente nove pessoas. Quando notamos que Edélcio ficara para trás, telefonamos para o celular dele, que deu caixa postal. Decidimos voltar e, quando cheguei em casa, recebi a notícia", conta o amigo da vítima e engenheiro civil Helimar Levi Rizzi.

Por volta das 17 horas do próprio domingo e ontem, Rizzi passou pelo trecho em que aconteceu o acidente e ficou indignado com o fato de nenhuma providência ter sido tomada a fim de conter a oleosidade do pavimento. "Bastaria jogar um pouco de areia sobre as pistas", afirma o amigo de Edélcio.

Rizzi também está revoltado com a falta de sinalização naquela parte da estrada, uma curva onde é comum o diesel vazar dos tanques por causa da inclinação das pistas. "Deveria haver placas com as inscrições ‘pista escorregadia’", diz.

O educador de trânsito e policial rodoviário aposentado Valdir da Rocha confirma que os motociclistas são os mais vulneráveis aos feitos do óleo. "É porque o veículo, bem mais leve, derrapa com muito mais facilidade. O sol seca o óleo, mas quando chove, a pista umedece e ele reaparece, sendo muito perigoso. Até caminhando a gente escorrega".

Rocha recomenda que, diante de pista coberta por óleo, é preciso reduzir a velocidade, mas sem frear. "Caso contrário, vai mesmo escorregar". De acordo com o policial rodoviário aposentado, os vazamentos de óleo têm origem numa irresponsabilidade, principalmente de caminhoneiros. "Que simplesmente enchem o tanque até a boca e, nas curvas, derramam o combustível", afirma Rocha. Quem presenciar óleo na pista deve acionar a Polícia Rodoviária para que o pó de serragem seja despejado sobre o pavimento.

O DER, ligado ao Governo do Estado e responsável pela estrada, negou que o acidente tenha ocorrido por causa de óleo na pista. Sobre a manutenção, o DER informou que possui equipes de conservação que percorrem constantemente a malha e que irregularidades podem ser delatadas pelo número 0800-055-5510.

Fonte: O Diário de Mogi

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